Saúde sem Fronteiras: Angola e RDC Unem Forças para Combater a Poliomielite

Saúde sem Fronteiras: Angola e RDC Unem Forças para Combater a Poliomielite

Angola e a República Democrática do Congo deram um passo decisivo na luta contra a poliomielite com o lançamento de uma campanha de vacinação sincronizada na fronteira de Luvu, numa resposta coordenada a um problema de saúde pública que continua a ameaçar milhares de crianças na região.

A iniciativa, que marca a segunda fase da campanha nacional de vacinação em Angola, a decorrer entre 22 e 24 de Maio de 2026, aposta numa abordagem orientada para interromper imediatamente a circulação do vírus e alcançar níveis elevados de imunização, sobretudo em zonas de intensa mobilidade populacional.

A sincronização das campanhas entre os dois países responde à realidade de comunidades que atravessam diariamente a fronteira, o que facilita a propagação do vírus. "Os vírus não conhecem fronteiras e, por isso, a resposta também deve ultrapassar fronteiras, baseada na solidariedade, na cooperação e na responsabilidade partilhada entre países irmãos", afirmou o Secretário de Estado da Saúde para a Área Hospitalar, Dr. Leonardo Europeu, durante o lançamento da campanha. 

O contexto epidemiológico reforça a urgência de uma intervenção conjunta e sincronizada. Angola continua a registar a circulação do poliovírus do tipo 2, com múltiplas detecções desde 2024, resultado de lacunas na cobertura vacinal e de níveis insuficientes de imunidade em algumas comunidades. Basta um único caso para colocar todas as crianças em risco, alertam as autoridades de saúde. 

Para responder a este cenário, o país prevê vacinar cerca de 8,5 milhões de crianças menores de cinco anos, mobilizando mais de 14 mil equipas de vacinação e cerca de 50 mil profissionais e voluntários em todo o território. A estratégia inclui vacinação porta a porta, acções de repescagem e um foco especial em zonas de difícil acesso e em áreas fronteiriças. 

No terreno, a campanha vai além da dimensão técnica. A forte mobilização comunitária, com o envolvimento de líderes tradicionais, organizações religiosas e parceiros internacionais, tem sido essencial para reforçar a confiança nas vacinas e garantir a adesão das famílias.

A poliomielite continua a ser uma doença altamente contagiosa e incapacitante, capaz de provocar paralisia permanente. No entanto, é totalmente evitável através da vacinação, o que torna cada dose administrada um avanço concreto na protecção das crianças. 

Durante o evento, o Representante da Organização Mundial da Saúde em Angola (OMS), Dr Indrajit Hazarika sublinhou o peso simbólico e estratégico da campanha. “Este lançamento conjunto com a República Democrática do Congo é muito mais do que um acto simbólico. Representa responsabilidade partilhada, compromisso colectivo e a determinação de erradicar uma doença que continua a ameaçar o futuro das nossas crianças”, afirmou. O responsável acrescentou ainda que “a vacinação não é apenas uma intervenção de saúde pública; é um direito fundamental da criança e uma responsabilidade colectiva.” 

 

Embora a África tenha sido declarada livre do poliovírus selvagem em 2020, a persistência de variantes derivadas do vírus mostra que o desafio ainda está longe de estar concluído. Neste contexto, a Iniciativa Global de Erradicação da Pólio (GPEI), que inclui a Organização Mundial da Saúde, tem vindo a reforçar a necessidade de uma resposta abrangente e sustentada. 

As prioridades passam por aumentar a cobertura vacinal, reduzir o número de crianças não vacinadas e reforçar a vigilância epidemiológica, incluindo a deteção precoce de casos de paralisia flácida aguda. É igualmente essencial melhorar as condições de saneamento e higiene para travar a transmissão do vírus. Paralelamente, a coordenação transfronteiriça contínua permanece um elemento crítico para alcançar o objectivo final: a erradicação global da poliomielite.

Neste contexto, as autoridades lançam um apelo claro: todas as crianças menores de cinco anos devem ser vacinadas, independentemente do histórico vacinal. Nenhuma deve ser deixada para trás. Porque, como reforça esta iniciativa em Luvu, proteger cada criança não é apenas um acto de saúde pública; é um investimento no futuro colectivo.

Click image to enlarge
For Additional Information or to Request Interviews, Please contact:
Olívio Gambo

Oficial de Comunicação
Escritório da OMS em Angola
gamboo [at] who.int (gamboo[at]who[dot]int)
T: +244 923 61 48 57